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Baleia Azul: entenda os riscos envolvidos nesse “jogo” que se transformou em um problema mundial

Aparentemente inocente, o jogo que é dividido em 50 missões e prepara seus seguidores para cometer suicídio na etapa final.

Publicada em: 20/04/2017 às 14:54

Um “jogo” mortal e criminoso vem ganhando popularidade e atiçando a curiosidade de todos na Internet e no Mundo, o denominado Blue Whale – em tradução livre, Baleia Azul.

 

 

O desafio, que teria surgido a partir de uma notícia falsa divulgada por um veículo estatal da Rússia, se espalhou a partir de 2015 - gerando um contágio, principalmente entre os jovens. De acordo com especialistas, o jogo não existia, mas com a grande repercussão da notícia, acabou ganhando adeptos verdadeiros.

 

 

No "jogo" Baleia Azul, os adolescentes relatam receber mensagens em redes sociais com tarefas a serem cumpridas. Nas conversas, um grupo de organizadores chamados “curadores” propõe aos adolescentes diversas missões. No total, são propostos 50 desafios, tais como, assistir a filmes de terror registrando o momento em fotos e se automutilar desenhando baleias com instrumentos afiados no corpo, até chegar ao desafio final, que ordena tirar a própria vida.

 

 

 

Infelizmente, o que de início parecia ser apenas uma “brincadeira”, já nos provou ao contrário e, recentemente, em vários estados brasileiros, diversos casos de tentativas de suicídios foram divulgados – em consequência da popularização do jogo, investigações seguem abertas para identificar.

 

 

Inicialmente, no Brasil, a morte de dois adolescentes – uma jovem de 16 anos, de Vila Rica/MT e um rapaz de 19, de Pará de Minas/MG, estão ligadas ao desafio da Baleia Azul. O Jornal O Estadão, em matéria divulgada nesta semana, fala sobre as implicações legais para os envolvidos, conforme mostraremos a seguir:

 

 

 

“Um dado preocupante é que, após a vítima iniciar os desafios, ela não poderá desistir. Dizem alguns participantes, que caso pretendam sair do jogo, são ameaçados pelos administradores, pois, uma vez no desafio, devem seguir até o final. Não há dúvida que esse jogo preocupante e mortal é contrário ao nosso ordenamento jurídico, e fica claro que a conduta dos responsáveis é criminosa.

 

O crime cometido pelos criadores e administradores é de induzimento ou instigação ao suicídio, podendo ser extensivo a qualquer um que convide ou compartilhe para outra pessoa jogar. Este ilícito se consuma quando o jogador (convidado) realiza o desafio final de tirar a própria vida. O tipo penal é o previsto no artigo 122 do Código Penal brasileiro, de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio, com pena prevista de reclusão de dois a seis anos, podendo a pena ser duplicada caso a vítima seja menor de 18 anos (situação predominante dentre as vítimas deste jogo).

 

No que diz respeito à conduta do instrutor do jogo, o qual conduz a vítima durante as tarefas, em razão de seu auxílio ao participante a cometer o suicídio, também está sujeito à punição prevista no artigo 122 do Código Penal, caso o jogador cumpra o desafio final com êxito.

Além disso, se o jogador desistir e efetivamente sofrer ameaças, o autor destas comete o crime previsto no artigo 147, também do Código Penal, que estabelece: “Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave. Pena: detenção de um a seis meses ou multa”.

 

Já no caso da vítima (suicida), tanto para o suicídio consumado ou tentado, não existe a previsão legal para sua responsabilização, pois a conduta é atípica, ou seja, não se trata de crime.

Porém, se o jogador não conseguir consumar o suicídio, e se lesionar gravemente, o agente que lhe induziu, instigou ou auxiliou a esta tentativa, será apenado criminalmente com reclusão de um a três anos, como prevê o próprio artigo 122 do Código Penal.

É fato que os instrutores e criadores do jogo são cibercriminosos e estão utilizando o poder da Internet para influenciar crianças e jovens a cometerem suicídio. Aqueles que, no Brasil, estão “brincando” de instrutores e convidam outros a jogar, caso seus convidados completem a tarefa final, também serão punidos, pois se tratam de criminosos.

 

Por fim, estes tipos de jogos mortais devem ser urgentemente investigados e reprimidos, punindo-se os responsáveis, para que os jovens não mais participem destes desafios, evitando-se, assim, mais vítimas deste verdadeiro massacre digital.”

 

Fonte: Jornal O Estadão

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