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Campo Largo decreta luto oficial pela morte do Expedicionário Alberto Augusto

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Publicada em: 19/02/2018 às 17:19

Faleceu na manhã desta segunda-feira (19), aos 97 anos, o Expedicionário Alberto Augusto. Ele era um dos campo-larguenses que integrou a FEB (Força Expedicionária Brasileira) que lutou na Itália, na 2ª Guerra Mundial. Convocado em 1942, participou da guerra por cerca de um ano e retornou a Campo Largo em 1945. Ao lado de Felix Novak, ele era um dos dois últimos expedicionários que ainda estava vivo em nossa cidade.

 

Alem de sua participação como Expedicionário, Alberto Augusto notabilizava-se como ceramista. Nascido em fevereiro de 1921, foi o fundador da Cerâmica Rio Branco. Seu avô era comerciante, e seu pai trabalhou como lavrador e foi empregado das fábricas de produtos cerâmicos Steatita e Brasileira. Alberto Augusto e seu irmão Albino Augusto fundaram em 1953 a Cerâmica Rio Branco, fruto de uma experiência anterior de 18 anos de trabalho também no setor cerâmico. Alberto iniciou sua prática na cerâmica quando tinha 14 anos, em 1935, como funcionário da fábrica de louça de Darcy Portela.

 

Posteriormente, trabalhou em outra empresa do mesmo setor, a Cerâmica Brasileira, durante um ano, voltando à Darcy Portela logo após. Esta experiência anterior o levou a montar em 1940, sua própria fábrica de telhas, tijolos e de louça “preta”, considerada por Augusto a louça com vidrado na cor preta. Esta fábrica, chamava-se Fábrica São João, e nela a produção era obtida a partir de terracota.

 

Até hoje existem exemplares das telhas produzidas, em poder do seu genro, ex-Vereador Balduíno Vidal. Em 1942, Alberto Augusto foi convocado para participar como pracinha junto ao Exército Brasileiro na Segunda Guerra Mundial.

 

Em virtude de sua ida para a Itália, vendeu a sua parte da Fábrica São João para o sócio, Sr. Leonardo Gavalak. Depois de passar um ano na Guerra, Alberto Augusto retorna em 1945 à Campo Largo e volta a atuar no setor cerâmico, passando a exercer o cargo no setor de produção na então Cerâmica Aurora.

 

Nesse período ele também construiu uma pequena olaria, na mesma quadra onde é hoje a Cerâmica Rio Branco. Pouco tempo depois, a vendeu para seu vizinho, Victorio Fallarz. Alberto Augusto casou-se, em 1946, com Olímpia Perbecen, que muito o apoiou no início da montagem da Cerâmica Rio Branco, em 1953. Para isso, foi necessária a participação de mais três sócios no investimento. Estes eram investidores, que apoiaram a construção, enquanto que o senhor Augusto exercia a função de diretor geral. A fábrica foi construída em dois anos, sendo concluída em 1955.

 

O primeiro forno foi construído em “serão”, no período da noite, em que Alberto não estava trabalhando na Cerâmica Aurora, onde na época era empregado. O segundo forno, utilizado para a queima do esmalte, foi construído através de “empreitada”, em 1956. Cerca de 20 anos mais tarde, esses mesmos fornos foram reconstruídos para ampliação da capacidade.

 

À medida que a fábrica funcionava e a louça era vendida, os investimentos começaram a dar o retorno esperado, o Sr. Alberto Augusto adquiriu para a fábrica as parcelas de seus sócios.

  

Segundo ele, os períodos mais difíceis enfrentados pela fábrica foram no começo de seu funcionamento e durante crise que levou ao fechamento da fábrica, crise esta que foi causada pela entrada de produtos importados da China no mercado nacional e o crescimento do consumo de louça em vidro.

 

Já para Balduíno Vidal, o período mais difícil para a fábrica foi de 1980 a 1986, devido às mudanças políticas e a criação de novos impostos.

 

 

fonte: O DESIGN ANTES DO DESIGN: A CERÂMICA RIO BRANCO Suelen C. Caviquiolo & Virgínia S. C. B, Kistmann Programa de Pós-Graduação em Design - UFPR

 

 

LUTO OFICIAL - Considerando a perda irreparável do cidadão campo-larguense, o prefeito de Campo Largo, Marcelo Puppi, decretou luto oficial de três dias. 

 

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